Fazia tempo que eu não ficava tão feliz com premiações do Oscar. Sim, eu torço pelos filmes assistindo à entrega. Além de ter achado boa a média de qualidade dos filmes indicados – só não vi O Aviador –, gostei muito de alguns resultados.
Scorsese x Eastwood
Menina de Ouro deu de relho em O Aviador. Enquanto a superprodução de Martin Scorsese ficou com os prêmios com quatro prêmios técnicos e Melhor Atriz Coadjuvante (a maravilhosa Cate Blanchett), a história bem contada por Clint Eastwood levou Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Hilary Swank), e Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman). Não acho que Eastwood seja o diretor mais relevante dos últimos 50 anos, nem que seu mais recente filme seja uma obra-prima, mas gostei do resultado. O prêmio de direção era mais do que merecido. Também estava torcendo para os atores premiados. E como os concorrentes que eu mais gostei não tinham muita chance (Sideways e Em Busca da Terra do Nunca), Menina de Ouro era a preferência na batalha entre os dois.
Melhores filmes
Meu filme preferido de 2004 – e um dos de toda a História – é Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, premiado com a estatueta de Melhor Roteiro Original. Fiquei dividida na torcida entre Sideways e Em Busca da Terra do Nunca para o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado – deu o roadmovie dos vinhos. E Os Incríveis, uma das animações mais divertidas dos últimos tempos, levou duas estatuetas: Melhor Animação e Edição de Som.
Mais prêmios merecidos
Ele recebeu duas indicações, por Ray e Collateral. Ela levou para casa o segundo Oscar da carreira. Jamie Foxx era o próprio Ray Charles e merecia o prêmio de Melhor Ator. Acho até que merecia o de coadjuvante, mas seria um pouco demais premiar o mesmo cara. Justo, enfim. Hilary Swank tem 30 anos e duas estatuetas na prateleira. A coincidência é que, nas duas ocasiões, Hilary derrotou Annette Bening. Em 2000, ela ganhou com Meninos Não Choram. Annette concorria por Beleza Americana. Desta vez, ela foi indicada pela atuação em Being Julia.
Melhores e piores momentos
Beyoncé interpretando três das cinco canções indicadas foi o ó. Mas o pior foi Antonio Banderas cantando a música de Jorge Drexler. Além de ter sido absurdo não deixarem o autor da música interpretá-la, colocaram esse mala pra fazê-lo. O Carlos Santana ainda cumpriu seu papel, mas Banderas tava ri-dí-cu-lo. Pelo menos Drexler levou a estatueta e protagonizou o melhor momento da noite: recebeu o prêmio e cantou os primeiros versos de Al Otro Lado del Río, música do Diários de Motocicleta.
Outra: pode ser inovadora e facilitadora a idéia de entregar alguns dos prêmios no meio da platéia. Mas, sinceramente, o cara que ganha um Oscar não quer mais é subir no palco para fazer seus agradecimentos?
update: esqueçam o que eu falei do Santana. tinha achado ele ok, mas ouvindo a música original dá pra ver que ele só ajudou o Banderas a acabar com ela. é outra música, só com a mesma letra.