January 27, 2009

Uma dica de Santiago

A fachada é de uma residência malcuidada, com a garagem escondida por um tapume. Mas o interior reserva cor, música, boa comida, romantismo e badalação.

Instalado em uma casa antiga, o Restobar Ky, em Santiago do Chile, tem desde ambientes mais reservados - ideais para jantares românticos - ao enorme salão dos fundos, onde a pedida são petiscos, bebida e paquera. Difícil é entrar e não prestar atenção nos detalhes da decoração. Cada peça tem alguma particularidade - uma das que eu mais gostei tinha um aquário, com apenas uma mesa para oito pessoas.

Em agosto, quando estive em Santiago, eu, minha irmã e um amigo decidimos conhecer o Ky, depois da indicação em um guia de viagem. O guia alertava que, para conseguir uma mesa na agitação do fundo, era necessário reserva. Chegamos cedo - e sem reserva -, a tempo de arranjar uma mesinha num dos cômodos de dentro da casa. A ideia era jantar e conhecer o lugar. Os destaques do cardápio são comidas com toque oriental, especialmente tailandês.

Pedimos uma entrada de camarão e pratos com filé e também com camarão, com molhos apimentados. Depois, degustação de sobremesas. Para acompanhar, vinho da casa (com raras exceções, pedir vinho da casa no Chile não tem erro). Tudo delicioso.

Quando o terminamos o jantar, a casa já estava cheia. Mesmo sem fachada ou qualquer placa de identificação,
o Ky é mesmo point. Se você quiser conhecê-lo, não se esqueça de levar o endereço anotadinho: Avenida Perú, 631, Bellavista. O telefone para reservas é 777-7245.


Dedé e Carol na frente do restobar que parece uma casa malcuidada.

Post feito como colaboração para o blog Recortes de Viagem, da Rosane Tremea

February 6, 2006

Canguru no prato

outback_special

Dica quente: o melhor horário para conhecer o Outback, restaurante americano com temática australiana que foi inaugurado neste verão no Iguatemi, é sábado de tarde – no horário de almoço (ou almojanta) pros que acordam mais tarde no fim de semana. Neste sábado, Solon e eu fomos ao shopping com o intuito de descobrir os sabores da nova febre porto-alegrense. Chegando lá, por volta das 16h30min, encontramos quase todas as mesas e garçons à disposição. Uma beleza.

Para começar, pedimos uma Blooming Onion (porque o moço insistiu que queria provar a cebola gigante que é uma ode à fritura) e uma capirinha de maracujá, limão e morango. Os pratos principais seriam: The Outback Special (um steak + uma jacked potato) e Ribs on The Barbie (costelinhas de porco com molho + batatas fritas + cinnamon apples).

Como era de se esperar, uma cebola daquelas é muito para duas pessoas, mas comemos a metade (ele comeu bem mais, diga-se de passagem). O toque especial do prato é o molhinho apimentado, que dá um sabor picante à cebola empanada. Um aperitivo gostoso, mas um pouco enjoativo. Não pretendo comer outras vezes.

Os pratos principais, esses sim, são sensacionais. Meu steak veio ao ponto Outback (o malpassado gaúcho, segundo a explicação do simpático garçom Rodrigo), preparado com uma pimentinha – podia ter um pouco mais de sal, mas nada é perfeito. A batata que acompanha (há outros acompanhamentos possíveis nesse prato) vem com requeijão e manteiga por cima. Ao espetar o garfo e puxar um pedaço da dita cuja, descubro que tem queijo derretido dentro. Uma delícia.

Os ribs do Solon eram igualmente gostosos. Não é necessário faca para comer as costelinhas. Uma garfada leva um pedação de carne macia. O molho billabong é um pouco mais adocicado que o barbecue, e as batatas fritas, com parte da casca, as melhores que já comi na vida.

Acompanhando tudo isso, refrigerante (depois da caipirinha incrementada), que funciona à moda americana. O cara paga R$ 4,75 e tem direito a refrigerante até dizer chega. Só faltou uma sobremesa, mas como cometemos o pecado da cebola, não havia mais espaço para provar a Cinnamon Oblivion (sorvete de creme com nozes caramelizadas, cinnamon apples, cinnamon croutons, calda de caramelo e chantilly). Vai ficar pra próxima.

Preços (cardápio aqui):
Ribs on The Barbie – 32,50
Outback Special – 26,50
Blooming Onion – 19,50
Skyypiroska – 11,50
Refrigerante (com refil) – 4,75

Resumo da ópera: a comida é ótima, o atendimento é muito bom e o local é a cara dos Estados Unidos (me senti viajando – inclusive gastando em dólar), apesar das bandeiras da Austrália, cangurus e coalas da decoração. É bem carinho, mas vale a pena ir de vez em quando. Se pedirem apenas os pratos principais e bebidas, duas pessoas comem bem com pouco mais de R$ 70. Não dá pra ir sempre, mas voltarei algumas vezes.

November 16, 2005

Cafeína gelada

Enquanto Porto Alegre não tem uma sorveteria como a Coldstone, onde a massa do sorvete é misturada na hora com outros ingredientes, resultando em combinações como Bana Split Decision ou Cand Land, eu ainda fico com os sorvetes tipo italiano, que podem ser encontrados em lugares como a D’Argento e a Troppo Buono.

Já que não posso comer o maravilhoso Coffee Lovers Only, descobri uma combinação satisfatória de sorvete de café com chocolate e avelã. Pedindo, na D’Argento (Rua Padre Chagas, 342), uma bola de sorvete de café com uma bola de sorvete de Nutella e cobertura de chocolate, tem-se o melhor exemplar de doce gelato cafeinado da Capital. Recomendo.

April 30, 2005

Cesta básica

De volta ao supermercado Nacional/Iguatemi 24 horas, achei a tão esperada graviola. Depois de citá-la algumas vezes neste blog, achei que deveria contar que a encontrei. A frutinha pesa mais de 2kg e está na geladeira do Solon, esperando para virar suco. Nham nham.

Agora só falta o tal queijo curado português ficar mais barato.

March 26, 2005

Leprechaun porto-alegrense

Eles não são exatamente pubs. Há mesas na rua e às 23h não toca o sino avisando que é o momento de comprar a última cerveja da noite. Adaptados ao clima e aos costumes brasileiros, os quase-pubs irlandenses viraram moda em Porto Alegre.

O primeiro (corrijam-me se estiver enganada) é o único cujo dono é irlandês mesmo: o Shamrock Irish Pub. O clima é aconchegante, há mesa de sinuca e chicken dippers (tiras de peito de frango a milanesa com molho de mel e mostarda), que eu adoro. E o Simon, como bem lembrou a Julia, é gente finíssima.

Mas, duns tempos pra cá, outro tem recebido minha atenção: o Mulligan, na Padre Chagas. A primeira grande vantagem é a variedade de cervejas. O chope básico é Eisenbahn, nas versões Pilsen, Pale Ale, Dunkel ou Weizenbier. Os copos, de 200ml, 300ml ou meio litro, custam R$2,95, R$3,95 e R$6,25. Para quem gosta das stout, a irlandesa Beamish – que eu achei de-li-ci-o-sa – (pint R$16,90 ou R$9,90 meia) ou uma garrafa de Guinness (440ml, R$ 18,90). A weizenbier alemã Erdinger custa R$13,30. São carinhas, é verdade, mas são cervejas importadas, lembre-se.

Entre as nacionais, tem a Baden-Baden Red Ale (600ml, R$16,90), considerada uma das melhores cervejas produzidas no Brasil. Os mais curiosos – e abonados – podem provar a Deus, cerveja-champagne belga maturada em barris de carvalho (750ml, R$199). A garçonete jurou que saem cerca de cinco, seis garrafas desta por mês.

A comida do Mulligan também é gostosa. Há pratos e petiscos para paladares tradicionais, um pouco mais avançados e complexos. Iscas de filé, bolinhos de queijo e bruchettas não têm muito erro. O tal boxty, uma panqueca irlandesa feita de batata, é bem boa. Ainda quero provar o filé com com cerveja dunkel arroz e fritas e o mousse de chocolate belga. Ficaram pra próxima.

Para finalizar, a lojinha Beer Paradise (a mesma do Cherry Blues Pub, se não me engano) tem 60 tipos de cerveja do mundo todo para levar pra casa. Vejo os olhinhos dos bêbados brilhando.

March 25, 2005

Trash food

Encontrar um cabelo, um pedaço de unha ou uma patinha de inseto no sanduba não é nada. Foda mesmo é isso aqui.

March 11, 2005

Pizza de português

Esses tempos, o Saulo comentou no Mujique que não havia pizza portuguesa com todos os ingredientes em Porto Alegre. Concordei com a teoria do moço já que sempre falta ovo, pimentão, tomate ou azeitona nas receitas das pizzarias da Capital.

Eis que encontrei ontem a que pode ser a única pizza portuguesa completa (com queijo, presunto, cebola, ovo cozido, tomate, pimentão e azeitona), e não foi numa pizzaria.

Em um happy hour do pessoal da Zero Hora (só os meus happy hours são ANTES de trabalhar), no Trivial Pub, no Moinhos de Vento, resolvi ALMOÇAR uma pizza. Lá veio ela, meia cinco queijos, meia portuguesa. Paguei caro, mas tava excelente – principalmente considerando que eu não estava em uma pizzaria. Mas só fui perceber que ela tinha tudo o que uma pizza portuguesa precisa quando comi o último pedaço, frio, às 5h30min.

February 7, 2005

I am not drinking any fucking Merlot!

Conselho aos apreciadores de vinho: não deixem de ver Sideways, mas só o façam se puderem tomar uma boa taça depois.

Em meio às crises de Miles e Jack, o filme proporciona uma breve aula sobre vinho e criação de uvas. Miles é apaixonado por Pinot Noir e odeia Merlot. Pois me deu uma enorme vontade de descobrir se o primeiro é tão bom assim. O outro eu já conheço.

February 5, 2005

Tomo guaraná, suco de caju

Esteve em Porto Alegre para o Fórum Social Mundial um casal de amigos meus de Recife. Cada vez que eu me encontro com alguém de lá, dá ainda mais saudade da minha terra natal. Nasci na capital pernambucana em 1983, morei um mês lá e só fui conhecer de fato minha cidade uns 10 anos depois.

Ouvir o sotaque daquele povo me faz lembrar do Recife Antigo, da praia de Boa Viagem e da proximidade com Olinda. Mas outra coisa faz esta gorda ter uma invejinha de quem mora lá: a gastronomia. Nada contra o nosso churrasco - bem pelo contrário - mas comer delícias como queijo de coalho, carne de sol e bolo de rolo também estão entre os melhores prazeres da vida gastronômica.

Agora, o que me deixa ainda mais saudosa e me inveja profundamente é a variedade de frutas no nordeste. Tomar suco natural naquela região do país não se resume a laranja, limão e abacaxi. Em qualquer boteco tem suco de cajá, caju, araçá, cupuaçu, acerola, açaí, graviola e outros.

Meu preferido é graviola. Ah, meu reino por um picolé de graviola nesses dias de calor.