
Antes tarde do que ainda mais tarde. Enquanto eu não crio vergonha na cara para postar sobre as férias do começo do ano, vou listar algumas dicas sobre o Ceará (acredite, a lista é bem mais curta do que de Buenos Aires, Montevidéu e Colonia juntas), onde estive em abril e maio:
- Primeira coisa para se aprender no Ceará é que não existe litoral norte e litoral sul. É leste ou oeste. O Estado tá voltado pro norte, ao contrário de (quase) todo o litoral brasileiro.
- Eu fiquei em Porto das Dunas, a mais de 20 quilômetros a leste de Fortaleza. Sabe o Beach Park? Pois é, fica lá. O município é Aquiraz. Em Porto das Dunas, não há muito o que se fazer além de ficar na praia (mas ela até que é bonita, olha aí em cima) ou ir ao parque, então o lance é alugar um carro e passear também em outras praias, com alguns atrativos a mais.
- Pela CE-040, chega-se a Beberibe (90 km ao leste de Fortaleza). Na entrada da cidade, guias turísticos locais oferecem o serviço gratuitamente (na verdade, depois o turista decide quanto dá ao rapaz como “contribuição espontânea”). Para quem não conhece a região, vale contar com uma ajuda local. As praias mais visitadas de Beberibe são Praia das Fontes e Morro Branco.
- A Praia das Fontes já foi cenário de novela da Globo e filmes brasileiros. O visual é bacana, com o colorido das jangadas emoldurado por falésias e fontes escondidas em grutas à beira do mar. Já Morro Branco abriga o Labirinto das Falésias, onde artesãos vendem garrafas cheias de areia colorida formando paisagens e desenhos diversos.
- O destino mais conhecido do litoral leste é Canoa Quebrada. O movimento na antiga vila de pescadores é 24 horas. Apesar de viver cheia de excursões de turistas, as belezas naturais continuam intactas em várias praias, como a principal, Lagoa do Mato, Ponta Grossa e Redondas. Na Broadway, a rua principal, funcionam pequenos bares e locais para dançar. Na beira-mar, as barracas (na verdade, grandes restaurantes construídos entre as falésias e a água) servem o melhor da culinária cearense, especialmente peixes e frutos do mar. Como em quase todas as praias cearenses, é possível passear de jegue, de bugue e de jangada.
- O único meio de transporte que utilizamos (além do Celtinha alugado no aeroporto) foi o bugue. O preço dos passeios variam de acordo com a praia, a temporada e a malandragem do bugueiro. Em várias praias, tentaram nos cobrar entre R$ 100 e R$ 120. Em Canoa Quebrada, fizemos um passeio de mais de duas horas por R$ 70, com direito a parada para esquibunda e tirolesa.
- De volta ao ponto de partida, a principal praia de Fortaleza é a Praia do Futuro. As barracas à beira-mar oferecem, além de boa comida, uma super infra-estrutura. As mais badaladas são Chico do Caranguejo e Crocobeach. Ambas têm piscina para a criançada, shows de música e de humor, área vip e espaço para eventos. A Croco ainda tem lan house, salão de beleza, sorveteria e outros atrativos. Dá para ir de manhã e só sair à noite. O maior inconveniente de ficar nas mesinhas na areia é o ataque dos ambulantes. A cada minuto, o turista é atacado por vendedores oferecendo queijo coalho, camarão, castanha de caju, lagosta, picolé, boné, óculos, rede… Mas, por mais chato que seja, alguns artigos valem mais a pena do que os da barraca, como o queijo (sempre mais barato, numa porção maior e mais gostoso).
- Para finalizar um rápido passeio pelas praias cearenses, fomos um pouco além de Fortaleza no sentido oeste. Cumbuco (a 33 quilômetros da capital) é uma praia igualmente linda, mas mais tranqüila que as outras. Nos acomodamos na barraca Aldeia Brasil (recomendo muito) que tinha piscina liberada (aquelas da Praia do Futuro, além de serem só para criança, eram pagas), cadeiras, guarda-sol e espreguiçadeiras. Um peixe com baião de dois que comemos lá foi provavelmente a melhor refeição da viagem. E o visual era esse aí do lado. Até quem não é fã de praia, como eu, se apaixona.
Mais fotos da viagem no meu Flickr.